segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sem hidrelétricas na Chapada dos Veadeiros. Queda de braço entre ambientalista e setores agropecuário, de energia e mineração parece não ter acabado



A queda de braço entre ambientalistas e setores agropecuário, de energia e de mineração parece não ter acabado, mesmo com a aprovação do Plano de Manejo nesta semana da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, que engloba o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, último grande remanescente de vegetação nativa do Cerrado em Goiás.

A intenção da Secretaria das Cidades e Meio Ambiente do Estado de Goiás (Secima) é publicar uma portaria oficializando as normas para o local em até quinze dias. Enquanto isso, algumas das partes envolvidas já preparam documentos para judicializar a questão e tentar realizar nova votação.

Na norma consta a restrição da construção de 22 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) dentro da APA, algo considerado positivo pela Fundação Mais Cerrado.

O presidente, Bruno Mello, afirma que a instalação iria impactar negativamente na região, inclusive ameaçaria o habitat do pato mergulhão, um dos espécimes mais ameaçados de extinção das Américas. “A espécie necessita de água extremamente limpa e por isso temos brigado contra os agrotóxicos. Além disso, as hidrelétricas modificam as estruturas dos rios, criando lagos. Isso também traz um novo risco ao mergulhão, que precisa da característica natural dos afluentes para sobreviver”, ressalta.

As PCHs fazem parte de um projeto da empresa goiana Rialma S/A. A companhia pretendia investir cerca de R$ 1 bilhão no local. A reportagem pediu mais informações à Rialma, mas a empresa não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição.

Além das hidrelétricas, as normas avançam para a agropecuária, que terá restrição para o desmatamento de novas áreas com a condição de se preservar áreas nativas (veja o quadro). “Isso representa que iremos aumentar as áreas de reserva legal da APA”, comemora o Bruno Mello.

Por outro lado, a restrição de agrotóxicos foi estabelecida apenas para os de classe 1, considerado o mais tóxico, e para a pulverização aérea estabelecida nas áreas de uso agropecuário intensivo.

Para temas mais polêmicos, como esses, foram criados grupos de trabalho que irão elaborar, posteriormente, propostas com regras específicas aos setores de energia, agropecuária e mineração. Além da construção de hidrelétricas, era permitida a mineração e a pulverização de agrotóxico nas áreas de preservação da Chapada dos Veadeiros.

Fonte: O Popular

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