A volta das
aulas presenciais nos colégios da rede pública estadual devem contar com um
sistema de rodízio entre os estudantes, mesclado com ensino remoto, e
prioridade para alunos sem acesso a internet. Estes são alguns dos planos da
Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO) para a reabertura das
instituições de ensino.
Seguindo
nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), as aulas
presenciais estão suspensas até o dia 31 de julho. A previsão é de retorno em
agosto, mas a data pode ser revista em meados de julho e ser modificada,
dependendo do cenário da pandemia do novo coronavírus no Estado. As aulas
presenciais das instituições de ensino públicas e privadas foram suspensas
entre os dias 15 e 18 de março.
Independente
da data de retorno, a forma como as atividades escolares presenciais serão
retomadas está sendo definida. Já que essa volta às aulas será diferente, com
medidas para garantir a segurança dos estudantes e servidores, evitando a
propagação do vírus, e para que todos os alunos tenham acesso ao mesmo conteúdo
necessário em cada etapa escolar.
Por isso, o
atendimento dos estudantes sem internet será uma prioridade, segundo a
superintendente de Ensino Médio da Seduc-GO, Osvany Gundim. “Até o momento,
pensamos em um retorno primeiro desses estudantes que não tiveram aula no
regime a distância, que não tiveram condições. Posteriormente, os demais
estudantes de forma escalonada”, explica a gestora, que faz parte do gabinete
de crise que está elaborando um documento com um plano de retorno às aulas.
De acordo
com Osvany, no primeiro mês de retorno às aulas, os estudantes dos colégios
estaduais devem fazer avaliações diagnósticas, para saber os conteúdos que os
alunos aprenderam durante as aulas remotas. Já no segundo mês deve ser feito um
processo de nivelamento. Nos três meses seguintes serão aplicados os conteúdos
essenciais do terceiro e quarto bimestre. “Não vai ser possível focar em todas
as habilidades e competências. Vamos elencar as essenciais para dar condições”,
explica a superintendente.
As aulas
presenciais também devem acontecer no formato de rodízio para garantir menos
estudantes em cada sala de aula. O projeto da Seduc é dividir cada turma em
quatro grupos. O número pode variar dependendo do tamanho da escola. Assim,
cada grupo teria aulas presenciais de tempo em tempo, mescladas com aulas a
distância. Ainda será definido se esse rodízio será feito de forma diária ou
semanal.
“Como vamos
trabalhar com essa metodologia, de aulas não presenciais por meios remotos e
presenciais, estamos nos embasando no modelo de sala de aula invertida, onde o
estudante, no momento que vai para a unidade, também busca suporte para dar
sequência a atividades de aulas não presenciais”, avalia Osvany.
A
superintendente pondera q, apesar desses planos da Seduc estarem avançados, a
nova metodologia é passível de mudanças, já que o cenário da pandemia do
Covid-19 é inédito. “Estamos vivendo um momento muito novo, provavelmente ainda
teremos muitas alterações. Estamos preparados para elas. Vai depender muito do
que virá, do contexto a partir de agosto.”
Além da internet
Participante
do gabinete de crise, a promotora Cristiane Marques de Souza, do Ministério
Público de Goiás (MP-GO), conta que já há um consenso de que os primeiros
momentos do retorno às aulas seja destinado aos estudantes não só sem internet,
mas também sem outras ferramentas.
“Alguns têm
acesso a internet, mas não têm condições de entender, apostilas, pais
disponíveis. As consequências da pandemia para a Educação vão ser sentidas a
partir de agosto. A partir do retorno vamos conseguir ter dados mais
concretos”, avalia Cristiane.
A promotora
lembra que a volta das aulas presenciais deve ser pensada com muito cuidado e
que ainda há muitas outras questões que vão entrar no planejamento de retorno.
“Tem que pensar que não é só aula, é estágio de convivência, é transporte
escolar, merenda. É uma logística muito complexa que demora a ser estruturada.”
Cristiane é coordenadora da Área de Infância, Juventude e Educação do Centro de
Apoio Operacional do MP-GO.
Atividades
de maio terão que ser repostas
As escolas e
secretarias municipais de Educação que adiantaram as férias escolares de julho
para o mês de maio terão que repor suas aulas, segundo o presidente do Conselho
Estadual de Educação de Goiás (CEE-GO), Flávio Roberto de Castro. De acordo com
ele, a maior parte dos colégios seguiram o calendário acadêmico, mas uma
minoria antecipou férias.
Em Goiânia,
foram cerca de cinco escolas particulares. Algumas secretarias municipais de
Educação também adiantaram as férias escolares. “Essas unidades vão ter que
fazer um calendário separado de reposição. Ainda será avaliada a forma.”
Segundo
Flávio, só não será necessária a reposição no caso do ensino infantil, que a
legislação brasileira permite cumprir até 60% da carga horária.
Particulares
Flávio, que
também é presidente do Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino de
Goiânia (Sepe), explica que o retorno das aulas da rede privada de ensino vai
ter diferenças do retorno da rede pública.
De acordo
com Flávio, o sindicato elabora uma proposta de retomada das atividades
presenciais específica para colégios privados. Entre os pontos que já foram
definidos estão o espaçamento entre os alunos, restrição no momento da
alimentação, controle de acesso de pessoas na escola, higienização de
playgrounds e espaços abertos.
“O retorno
será precedido de reuniões virtuais, ou com pequenos grupos de pais, para que
eles tenham mais segurança sobre a estrutura que foi montada. O principal é
manter os dois sistemas: pais que não quiserem levar o filho vão ter condições
de ter aula em casa transmitida ao vivo”, diz o presidente do Sepe.
Município
A Secretaria
Municipal de Educação (SME) de Goiânia também está concluindo um documento com
propostas de retomada das aulas de forma segura. Segundo o titular da pasta,
Marcelo Ferreira da Costa, serão avaliadas questões administrativas,
pedagógicas e operacionais.
Marcelo
defende que será necessário pensar um novo orçamento para a Educação, que
abarque a necessidade de maior higienização e adaptações das escolas. “Já
iniciamos a parte de readequação das escolas, independente de quando voltar.
Estamos colocando mais lavatórios e suporte de álcool em gel”, relata. Apesar
dos preparativos, o retorno das aulas em agosto, na avaliação do secretário, é
uma previsão otimista.
Faculdades
O retorno
das aulas práticas em faculdades privadas está funcionando como uma maneira das
instituições de ensino começar a se adaptar para o retorno das aulas
presenciais. Segundo o presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de
Estabelecimentos de Educação Superior do Estado de Goiás (Semesg), Jorge de
Jesus Bernardo, as atividades práticas retornaram com estágios na área da saúde
e depois com laboratórios e clínicas.
“As aulas
práticas estão ocorrendo sob controle, com poucos alunos, quatro, cinco, não
muitos. Mesmo turmas grandes são divididas, há equipamento de proteção individual
e supervisão”, explica Jorge. O retorno das aulas práticas é priorizado para
estudantes que estão no último ano de graduação. O Ministério da Educação (MEC)
não autoriza a conclusão de cursos sem atividade prática obrigatória.
Fonte: O
Popular

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