A taxa de
ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede estadual deve começar a cair
abaixo de 90% apenas em maio. Em uma live sobre judicialização dos pedidos de
internação na tarde desta quarta-feira (10), o secretário estadual de Saúde,
Ismael Alexandrino, disse que estamos atualmente na pior semana da epidemia com
relação à demanda por leitos de UTI, que na próxima semana a procura vai
continuar crescendo, mas numa velocidade menor e que haverá uma estabilização
na curva de solicitações a partir da quarta semana de março.
“Estamos na
pior semana de toda a pandemia. O mês de março nós prevíamos esta piora
realmente, e que a segunda semana, pelos estudos, seria a pior semana. Não que
a semana que vem será tranquila, ela não será, mas provavelmente ela terá uma
proporção de crescimento menor do que a atual. E aí na última semana deveremos
estabilizar lá em cima, acima dos 90%, passar o mês de abril, numa grande
agonia ainda, acima de 90% e esperamos que em maio esta queda sustentada virá”,
afirmou na live.
Ao POPULAR,
Ismael confirmou que a expectativa leva em conta a ampliação dos leitos de UTI
prevista para os próximos dias. A rede estadual tem hoje 437 vagas para os
casos mais graves em hospitais públicos e conveniados, incluindo as 10 abertas
em Luziânia. Ainda nesta semana, devem começar a funcionar também 68 leitos de
UTI do Hospital Regional de Uruaçu. “(Vai se manter) acima de 90% mesmo com a
abertura que a gente vai fazer ainda nestes próximos dias.”
Durante a
transmissão - realizada pela Escola Superior de Magistratura do Estado de Goiás
(Esmeg), em conjunto com a Secretária Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) e com
o Comitê de Saúde do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) -, Ismael
disse que não dá para falar em colapso na saúde pública do Estado, mas
reconheceu que em alguns municípios a situação pode ser enquadrada deste jeito.
“O cenário
atual é de saturação do sistema de saúde, não é de colapso ainda, é de
saturação. Colapso é quando você não tem capacidade de atender. Quem está numa
fila de UTI hoje no Estado de Goiás está sendo assistido, ele está entubado
numa sala vermelha, está num pronto-socorro, numa enfermaria, está fazendo uma
ventilação não-invasiva. Este paciente que está na fila de UTI não se encontra
desassistido”, argumentou o secretário, para alguns minutos depois, durante a
fala de uma pessoa, acrescentar: “Eu sei que tem município que está sim em
colapso.”
O secretário
disse também que não dá para descartar a possibilidade de que Goiás viva uma
situação semelhante à de Manaus, mas que “estamos trabalhando duro para que não
seja” esta a realidade goiana.
Ismael
também reclamou durante o evento da pressão que a rede pública tem sofrido dos
hospitais particulares e comentou que tanto a rede privada como os planos de
saúde teriam condições de ampliar a capacidade total de vagas. “O que tem
pressionado muito é que o privado tem mandado muito para a porta dos nossos
hospitais”, disse na apresentação.
Ele conta
que teve um dia no qual a secretaria fez um recorte sobre os pacientes
internados naquele momento no Hospital de Campanha de Enfrentamento ao
Coronavírus (HCamp) de Goiânia e que 23% deles tinham planos de saúde.
Fonte: O
Popular

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