A vegetação
destruída em 12 dias de incêndios na Chapada dos Veadeiros em setembro é igual
a 30% do total de área desmatada de cerrado na região entre o período de 2010 a
2020.
Segundo o
último levantamento do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio), o
fogo destruiu uma área de 236 mil metros quadrados. O total do cerrado
desmatado nos oito municípios da Chapada dos Veadeiros em dez anos é igual a
769 mil metros quadrados.
O total da
área desmatada nos municípios que compõem a Chapada dos Veadeiros nos últimos
dez anos foi levantado na plataforma Terra Brasilis, que divulga os dados dos
sistemas PRODES e DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Por meio da
filtragem de dados da tabela de Incrementos de Desmatamentos do Cerrado em
Municípios por Estado, chegou-se ao somatório das áreas desmatadas do bioma em
Cavalcante, São João D’Alinaça, Alto Paraíso, Nova Roma, Teresina de Goiás,
Colinas do Sul, Monte Alegre de Goiás e Campos Belos, entre os anos de 2010 e
2020.
Focos de
incêndio continuam na Chapada dos Veadeiros
Novos focos
de incêndio na Chapada dos Veadeiros continuam a ocorrer e região precisa de
monitoramento constante. “Alguns desses focos de incêndio são provenientes de
ignições provocadas por raios das primeiras chuvas que ocorrem antes das
precipitações regulares”, explica o capitão do Corpo de Bombeiros de Goiás e
comandante da força-tarefa de combate aos incêndios na região, Luís Antônio
Dias.
Um incêndio
em formato de “linha de fogo” de aproximadamente oito quilômetros de extensão
tomou conta de uma região conhecida como Vale Verde a 10 quilômetros do
município de Alto Paraíso, na noite da última quinta-feira (30). De acordo com
o chefe da Brigada voluntária de São Jorge, Alex Gomes, o fogo foi provocado
pela ignição de um raio.
“Entramos na
luta contra as chamas à noite. Mais tarde, nosso brigadista maior, São Pedro,
apagou o fogo com a chuva”, relatou Alex. Apesar de estarem sendo ajudados
pelas chuvas, segundo o brigadista, haviam pelo menos 20 focos ativos de
incêndio na Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto até o início da noite
da última sexta-feira (1º).
Os
principais focos de incêndio no mês de setembro que ocorreram na Chapada dos
Veadeiros duraram 12 dias e foram combatidos com ajuda de cerca de 200 pessoas.
Agentes do ICMbio, bombeiros e voluntários trabalharam diuturnamente para
tentar apagar as chamas.
O fogo
iniciou no dia 12 de setembro, na região do Vale da Lua, no município de Alto
Paraíso.
Apesar de o
esforço conjunto para extinguir o fogo, foi apenas após a ocorrência de chuvas
no dia 24 de setembro que os focos de incêndio se arrefeceram na Chapada dos
Veadeiros. “Até que as chuvas comecem a ocorrer com regularidade, teremos
muitos dias de luta”, pontuou Alex.
Segundo o
meteorologista do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás
(Cimehgo), André Amorim, há prognósticos de retorno gradativo das chuvas
regulares no estado apenas na segunda quinzena de outubro.
“Lembrando
que o retorno das chuvas em Goiás começa a ocorrer da região sul para a região
norte do estado”. Ou seja, a Chapada dos Veadeiros está no fim da fila.
O
coordenador de combate a incêndios do ICMbio, João Paulo Morita, afirma que a
dinâmica da intensidade dos incêndios florestais depende de diversos fatores
como condições climáticas que propiciem melhor propagação do fogo e o uso do
solo, que aproxima a natureza da ação humana.
João
esclarece que, normalmente, o fogo que ocorre na Chapada dos Veadeiros entre os
meses de agosto e setembro é criminoso, mas não significa que é sempre
intencional. “Há um decreto em vigor estabelecendo que o uso de fogo precisa de
autorização nesta época do ano. Portanto qualquer incêndio fora desta condição
é crime”.
Fogo está
relacionado com ação humana, ocupação e uso do solo
O agente do
ICMbio aponta que as maiores causas da continuidade dos incêndios e picos de
desmatamento causados pelo fogo estão relacionadas às ações humanas como
renovação de pastagem pro gado, que precisa de capim verde para se alimentar,
uso inadequado do fogo na agricultura e até mesmo por “descuido” em áreas
habitadas.
“Há três
semanas, uma das ignições que propiciou um grande foco de incêndio na Chapada
dos Veadeiros foi causada por um serralheiro que estava cortando ferro. Uma
faísca caiu dentro do capim e o fogo se iniciou”, exemplificou João.
Para João,
que tem formação em antropologia pela Universidade Federal de São Paulo, o
problema dos incêndios florestais está relacionado, sobretudo, a questão social
do uso e ocupação do solo, no caso da agropecuária, por exemplo, ou no avanço
da urbanização. “As cidades estão avançando para zonas peri urbanas e existe
ainda um desconhecimento enorme ao que pode causar um incêndio”, diz.
O
antropólogo pontua que apesar de ter destruído grande área de vegetação do
cerrado, os incêndios que desmataram 236 mil metros quadrados de vegetação da
Chapada dos Veadeiros não foi o maior dos últimos anos. “Em anos anteriores, o
fogo destruiu mais. Acontece, que o cerrado tem a capacidade de se regenerar em
cerca de 12 a 18 meses e os focos de incêndio que reincidentes são sempre
aqueles próximos de ocupação e uso do solo pela agropecuária”, conclui.
Fonte: Mais Goiás
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