A capacidade
de contágio do novo coronavírus entre a população goiana definirá qual o
impacto da pandemia da Covid-19 no Estado nos próximos dias e meses. O fator,
que será influenciado pela adoção de medidas de controle da transmissão, como o
isolamento social e os hábitos de higiene, implicará diretamente na forma como
a rede de saúde atenderá aos pacientes e, consequentemente, no número de mortes
que ocorrerão em Goiás.
Um estudo
apresentado na sexta-feira (3) pelo governo estadual aponta que, no pior dos
cenários, quase 400 pessoas podem morrer pela doença em 30 dias. Contudo, na
melhor das hipóteses, cerca de 200 dessas vidas podem ser preservadas.
A análise,
realizada em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra três
cenários possíveis durante o enfrentamento da disseminação do novo coronavírus
em território goiano, tendo como variável a forma de aplicação do isolamento
social. O desenho mais crítico se dá quando há a suspensão das medidas de
restrição de circulação impostas. Nele, mais de 100 mil pessoas seriam
infectadas no período de um mês, cujo ponto de partida considerado é 27 de
março.
A data
utilizada é o dia em que foi identificada a existência de transmissão
comunitária em Goiás, de acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento e
Inovação (Sedi), Adriano da Rocha Lima. “O estudo é baseado na taxa de contágio
de uma pessoa já contaminada para outras. Isso começou com a transmissão
comunitária. A primeira vez em que foi comprovada a transmissão entre cidadãos
foi nessa data”, explica ele, que é titular de uma das pastas envolvidas na
pesquisa, que, nesta fase, também contou com a Economia e a Saúde estaduais.
Dentre os
infectados no período, estima-se que 369 morreriam. Com as variações
consideradas no cálculo, este número poderia variar entre 339 e 399. Contudo,
segundo Lima, a ocorrência dos extremos é mais improvável. Assim, considerando
também os valores de ocorrência mais provável, haveria a necessidade de 8,8 mil
leitos hospitalares, sendo 576 de unidade de terapia intensiva (UTI).
Para
comparação, as unidades que funcionarão como hospitais de campanha durante a
pandemia, voltadas especificamente para o atendimento de pacientes com o novo
coronavírus no interior e na capital, oferecem aproximadamente 1,8 mil leitos,
criados com o intuito de ampliar a capacidade da rede do Estado. Impedir a
sobrecarga do sistema de saúde e a consequente falta de atendimento para
aqueles que precisam, seja por Covid-19 ou por outros problemas, é uma das
principais motivações do isolamento.
Taxa de
contágio
No cenário
mais grave, a capacidade de transmissão do vírus de uma pessoa infectada é de
2.2. O número, chamado de R0, indica a quantidade de pessoas que poderiam
contrair o novo coronavírus. O valor mencionado ocorreria, em Goiás, nas
condições de relaxamento do isolamento social. Alcançá-lo, no entanto,
significaria um retrocesso na situação atual. O panorama existente no Estado é
de contágio de 1.6 pessoa por infectado.
Para o Estado,
contudo, a manutenção das medidas adotadas atualmente implicaria em uma redução
gradual do índice, que de 1.6 poderia chegar a 0.95. “Isso pode ser alcançado
se a população se utilizar de mecanismos de higienização, seguir as regras
sanitárias e manter o distanciamento entre pessoas, o que garante maior
dificuldade de transmissão”, diz Adriano.
Longo
prazo
De acordo
com o estudo, Goiás teria cerca de 40 dias, a partir de 27 de março, para
enfrentar o pico de casos no cenário mais dramático. A estimativa é de que 2,2
milhões de pessoas teriam a Covid-19. O número cai para 1,5 milhão de
infectados com a manutenção da taxa de transmissão atual. Com a redução do
índice, no cenário mais otimista, 318 mil pessoas teriam a doença. Tal análise,
contudo, é considerada menos precisa do que a feita para o curto prazo.
“Toda
projeção é baseada em uma série histórica. A partir dela, se projeta
comportamentos futuros. Temos uma série histórica curta, por se tratar de uma
doença que surgiu muito recentemente. Além disso, há imprecisão pela
subnotificação. A gente sabe que muitos casos acontecem e não são notificados,
não temos elementos de teste suficientes. Há ainda pessoas assintomáticas nem
recorrem aos testes”, diz Lima. “Quando mais dados tivermos, mais preciso
ficará. Vamos acompanhar e revisar as previsões semanalmente.”
Fonte: O Popular

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