Moradores de
uma comunidade kalunga em Cavalcante, no nordeste de Goiás, barraram a entrada
de búfalos em uma fazenda que fica dentro do Sítio Histórico e Patrimônio
Cultural Kalunga. Eles falaram que os animais podem causar danos no meio
ambiente e nas plantações. Eles também cobram a desapropriação da propriedade.
O presidente
da Associação Quilombo Kalunga, Jorge Moreira de Oliveira, disse que seriam
colocados 30 búfalos no local na sexta-feira (9), mas eles conseguiram impedir
que metade fosse transportado. Os animais ficaram em um piquete de outra
fazenda, na entrada do Sítio Histórico.
“Os búfalos
causam muitos problemas. Eles podem destruir uma nascente, comem nossas
plantações. Eles não respeitam divisão de cerca, podem causar contaminação da
água, porque é batido produto químico neles”, disse. Uma norma no regimento
interno da comunidade proíbe a criação desse tipo de animal.
A reportagem
entrou em contato por mensagem às 12h15 com o advogado do fazendeiro dono dos
búfalos e aguarda retorno. A reportagem também pediu um posicionamento por email
às 12h25 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e
aguarda retorno.
Oliveira
explicou que a fazenda está dentro do território kalunga e, há cerca de 20 anos
tentam que a área seja desapropriada e entregue à comunidade quilombola.
Durante esse tempo, o fazendeiro deixou de criar búfalos na área, mas tentou
retornar com os animais a última sexta-feira.
Para que a
área seja desapropriada, é necessário que o governo federal pague uma
indenização ao dono da terra. Porém, isso ainda não foi feito. O presidente da
associação teve que a demora nesse processo cause conflitos.
“No passado,
os fazendeiros invadiram as terras kalungas e a gente não tinha espaço para
morar ou ter nossa plantação. Com isso, muitos se mudaram, acabaram indo para a
periferia de cidades. Quando nosso território foi reconhecido, em 1996, parte
da nossa terra foi devolvida e os kalungas voltaram para cá para ter sua
criação. E a gente não quer que os fazendeiros voltem de novo. Não queremos
voltar a ser escravos de ninguém”, afirmou Oliveira.
Fonte: G1


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