quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Matrinchã /GO: Rastros de um crime brutal



Matrinchã, município de pouco mais de 5 mil habitantes, no Vale do Araguaia, foi abalado por uma notícia assustadora na manhã de terça-feira (04).

Os corpos do prefeito Daniel Antônio de Souza, de 51 anos, e da primeira dama, Elizete Bruno de Bastos, de 40, foram encontrados ensaguentados na chácara onde moravam a cerca de 7 quilômetros do centro da cidade.

Ambos foram atingidos por arma branca e perfurante, de acordo com o titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Kleber Leandro Toledo Rodrigues, que assumiu a investigação do duplo homicídio.

O delegado descartou a possibilidade de Daniel Antônio ter matado a mulher e suicidado em seguida. Informações ainda não confirmadas indicam que o casal foi degolado. Daniel e Elizete foram mortos na varanda da casa, onde há uma mesa grande. Duas poças de sangue ficaram no piso e rastros vermelhos mostram que os dois corpos foram arrastados para o interior da residência. Cada um estava em quartos distintos, de acordo com o secretário da Administração de Matrinchã, Cleyb Bueno de Moraes que encontrou as vítimas.

 O secretário e diversos outros integrantes da administração aguardavam o casal para a abertura da Conferência Municipal de Assistência Social, mas diante do atraso, houve o alerta de que algo estava errado.

O primeiro a chegar na casa, que fica numa agrovila de assentados que nasceu a partir da desapropriação da Fazenda Chaparral, foi o motorista da prefeitura, Reginaldo Jorge.

 A pedido do assessor de Elizete Bruno, Felipe Morais, que é diretor do Centro de Referência de Assistência Social (Crass), ele foi até a agrovila para buscar uma máquina fotográfica e saber o motivo do atraso. Ao ver o carro da família aberto e o barulho da cadela no interior da residência, ele avisou Cleyb Bueno que foi ao local com o assessor jurídico da prefeitura.

A Polícia Militar chegou à chácara por volta de 8h50 da manhã e isolou o local. Os pontos na varanda onde ficaram as poças de sangue indicam que o casal sentou à mesa com alguém para conversar. “Acredito que eles chegaram em casa e já encontraram pessoas aqui, por isso deixaram o carro aberto”, disse uma amiga. Nada foi levado do local.

A notícia logo se espalhou pela pequena Matrinchã. “Ninguém acreditou. Foi um susto enorme”, contou um rapaz. Comerciantes disseram que Daniel era uma pessoa querida, simples e que tratava a todos muito bem. A confirmação de que o pior tinha acontecido acabou com a conferência e levou todos os participantes para a chácara do casal. A cadela do casal, desesperada e arranhando a porta, foi entregue a um irmão de Daniel.

“Estava pra baixo”

No porta-malas do carro ficaram as compras que o casal havia feito no dia anterior num supermercado da cidade. Entre os mantimentos havia cervejas e refrigerantes, provavelmente para a reunião que seria realizada na casa, no sábado, para comemorar o aniversário do prefeito. “Ele havia convidado um círculo íntimo de amigos”, comentou um deles. Maria Aparecida Gonçalves Alves, ex-vereadora, amiga do casal, relatou que almoçou no dia anterior com eles. “Ele me disse que estava muito pra baixo. Que estava com vontade de abrir um buraco e entrar”.

Fonte: O Popular

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