Matrinchã,
município de pouco mais de 5 mil habitantes, no Vale do Araguaia, foi abalado
por uma notícia assustadora na manhã de terça-feira (04).
Os corpos do
prefeito Daniel Antônio de Souza, de 51 anos, e da primeira dama, Elizete Bruno
de Bastos, de 40, foram encontrados ensaguentados na chácara onde moravam a
cerca de 7 quilômetros do centro da cidade.
Ambos foram
atingidos por arma branca e perfurante, de acordo com o titular da Delegacia
Estadual de Investigações Criminais (Deic), Kleber Leandro Toledo Rodrigues,
que assumiu a investigação do duplo homicídio.
O delegado
descartou a possibilidade de Daniel Antônio ter matado a mulher e suicidado em
seguida. Informações ainda não confirmadas indicam que o casal foi degolado.
Daniel e Elizete foram mortos na varanda da casa, onde há uma mesa grande. Duas
poças de sangue ficaram no piso e rastros vermelhos mostram que os dois corpos
foram arrastados para o interior da residência. Cada um estava em quartos
distintos, de acordo com o secretário da Administração de Matrinchã, Cleyb
Bueno de Moraes que encontrou as vítimas.
O secretário e diversos outros integrantes da
administração aguardavam o casal para a abertura da Conferência Municipal de
Assistência Social, mas diante do atraso, houve o alerta de que algo estava
errado.
O primeiro a
chegar na casa, que fica numa agrovila de assentados que nasceu a partir da
desapropriação da Fazenda Chaparral, foi o motorista da prefeitura, Reginaldo
Jorge.
A pedido do assessor de Elizete Bruno, Felipe
Morais, que é diretor do Centro de Referência de Assistência Social (Crass),
ele foi até a agrovila para buscar uma máquina fotográfica e saber o motivo do
atraso. Ao ver o carro da família aberto e o barulho da cadela no interior da
residência, ele avisou Cleyb Bueno que foi ao local com o assessor jurídico da
prefeitura.
A Polícia
Militar chegou à chácara por volta de 8h50 da manhã e isolou o local. Os pontos
na varanda onde ficaram as poças de sangue indicam que o casal sentou à mesa
com alguém para conversar. “Acredito que eles chegaram em casa e já encontraram
pessoas aqui, por isso deixaram o carro aberto”, disse uma amiga. Nada foi
levado do local.
A notícia
logo se espalhou pela pequena Matrinchã. “Ninguém acreditou. Foi um susto
enorme”, contou um rapaz. Comerciantes disseram que Daniel era uma pessoa
querida, simples e que tratava a todos muito bem. A confirmação de que o pior
tinha acontecido acabou com a conferência e levou todos os participantes para a
chácara do casal. A cadela do casal, desesperada e arranhando a porta, foi
entregue a um irmão de Daniel.
“Estava pra
baixo”
No
porta-malas do carro ficaram as compras que o casal havia feito no dia anterior
num supermercado da cidade. Entre os mantimentos havia cervejas e
refrigerantes, provavelmente para a reunião que seria realizada na casa, no
sábado, para comemorar o aniversário do prefeito. “Ele havia convidado um
círculo íntimo de amigos”, comentou um deles. Maria Aparecida Gonçalves Alves,
ex-vereadora, amiga do casal, relatou que almoçou no dia anterior com eles.
“Ele me disse que estava muito pra baixo. Que estava com vontade de abrir um
buraco e entrar”.
Fonte: O
Popular

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