Reconhecido
nacionalmente como uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil, o oeste
da Bahia vai ganhar o primeiro polo de irrigação do Nordeste, iniciativa
pública que já ocorre no Rio Grande do Sul e Goiás e que faz parte da política
nacional de irrigação do Governo Federal.
O Polo de
Irrigação do Oeste da Bahia foi instituído na quinta-feira (26), após oficina
que tratou da definição da área de abrangência e selecionou uma carteira de
projetos para o empreendimento conjunto.
A Associação
de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) sediou o debate, que reuniu,
durante dois dias, produtores rurais, representantes da sociedade civil e
equipes técnicas de órgãos ambientais das esferas municipal, estadual e
federal.
A iniciativa
conta com o apoio da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano
(SDRU), do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). No total, são 192 mil
hectares de área irrigada, tendo como destaque a produção de algodão, soja,
milho, banana, limão e cacau.
“Nenhum
outro empreendimento é tão rentável economicamente, socialmente e
ambientalmente quanto a irrigação.
A
agricultura irrigada no oeste da Bahia é bem equipada tecnicamente, fazendo o
uso eficiente da água”, avaliou o professor da UFV Everardo Montovani,
especialista em irrigação e que coordena os Estudos do Potencial Hídrico do
Oeste da Bahia.
O polo vai
integrar produtores de 17 municípios: Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa,
Cocos, Coribe, Correntina, Cristópolis, Formosa do Rio Preto, Jaborandi, Luís
Eduardo Magalhães, Muquém do São Francisco, Riachão das Neves, Santa Maria da
Vitória, Santa Rita de Cássia, São Desidério, São Félix do Coribe e Serra do
Ramalho.
A iniciativa
‘Polos de Agricultura Irrigada’ é uma estratégia do MDR, desenvolvida por meio
da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano.
O objetivo é
alavancar a agricultura irrigada a partir de um trabalho conjunto entre as
organizações de irrigantes e as diversas esferas de governo. A premissa de ação
é o planejamento setorial e territorial de regiões irrigadas no país, aliando
as demandas dos produtores rurais com as parcerias e políticas públicas de
governo.
O
reconhecimento dos polos por parte do Governo Federal legitima e oficializa a
necessidade dos produtores em desenvolver a área irrigada na região de
abrangência da iniciativa.
Os critérios
para a escolha das localidades atendidas pelo projeto do MDR e a metodologia
empregada para o planejamento das ações estão contidas na Portaria nº 1.082, de
abril deste ano.
De acordo
com o coordenador de projetos de polos de irrigação do MDR, Antônio Leite, a
escolha do oeste baiano para implantação do polo se deve ao potencial agrícola
da região, que é destaque nacional na produção de grãos e fibra.
“Buscamos
regiões onde já existe a atividade irrigada consolidada. O intuito não é
implantar a tecnologia, mas melhorá-la e até expandi-la”, pontuou.
Para a
diretora de Meio Ambiente e Irrigação da Aiba, Alessandra Chaves, essa é uma
importante discussão, uma vez que não se trata apenas em ampliar a área
irrigada, mas de favorecer a eficiência do uso da água, garantindo segurança
hídrica aos usuários do recurso natural.
“O polo como
ele é pensado e estruturado vai desenvolver tanto a agricultura irrigada quanto
a de sequeiro; tanto o pequeno produtor, quanto o de médio e grande porte”,
comentou Alessandra.
O presidente
da Aiba, Celestino Zanella, disse que a pluralidade de entidades públicas e
privadas que participaram da discussão.
“Convém ressaltar a importância de receber em
nossa região uma equipe técnica do Ministério, que teve a sensibilidade de ver
a potencialidade do oeste da Bahia e trazer para cá um debate tão importante,
envolvendo todos os interessados”, afirmou.
Em operação
Os polos
integram a Política Nacional de Irrigação e estão sendo instalados em regiões
do Brasil que se destacam pela grande concentração de setores produtivos e
áreas de irrigação privada, com ações de políticas públicas estruturantes.
Atualmente, cerca de 97% da agricultura irrigada do País é feita em áreas
privadas.
Além do polo
baiano, três outros centros já estão em operação: o Polo de Agricultura
Irrigada da Bacia do Rio Santa Maria, no Rio Grande do Sul; o Polo de Irrigação
Sustentável do Vale do Araguaia e o Polo de Polo de Agricultura Irrigada do
Planalto Central de Goiás, ambos em Goiás.
O primeiro
alcança cerca de 120 mil hectares nos municípios de Cacequi, Lavras do Sul, Dom
Pedrito, Rosário do Sul, São Gabriel e Santana do Livramento. O segundo integra
mais de 100 mil hectares das cidades de Britânia, Jussara, Santa Fé e Montes
Claros de Goiás.
O último
abrange 120 mil hectares espalhados por Alexânia, Cabeceiras de Goiás, Campo
Alegre, Catalão, Cristalina, Flores de Goiás, Formosa, Ipameri, Luziânia,
Silvânia, Vianópolis e Vila Boa.
Até o fim do
ano, há a previsão de que os Polos de Minas Gerais e de Sorriso (Mato Grosso)
também estejam funcionando.
Instituída
pela Lei nº 12.787/2013, a Política Nacional de Irrigação tem como objetivo
organizar o marco legal para a gestão de projetos de irrigação, sendo sua
principal diretriz a indução à eficiência no uso de recursos hídricos para o
setor.
Além disso,
reforça estratégias para o desenvolvimento da agricultura irrigada, visando ao
aumento da produtividade, de forma sustentável, e a redução de riscos
climáticos para a agropecuária e a importância das parcerias entre os setores
público e privado para ampliar a área irrigada no País.
Fonte: Canal
Rural

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