“Se tivesse
uma vaga, quem sabe seria bom para ele”. Esta é a situação descrita pela
professora Raimunda Maria das Neves, de 56 anos, sobre a morte do seu cunhado,
o ex-vereador de Posse, no nordeste goiano, Valdenite Dias de Santana, também
de 56 anos, na última quinta-feira (1).
Ele faleceu
no momento em que entrava na ambulância para ser levado para uma Unidade de
Terapia Intensiva (UTI), após três dias de espera por uma vaga, segundo a
Prefeitura de Posse, cidade onde ele estava internado e morreu.
No desespero
para conseguir a internação, os filhos de Valdenite venderam dois carros e
usaram o dinheiro para pagar por uma vaga em um hospital privado de Goiânia. No
momento em que a UTI móvel chegou até Posse para buscá-lo, a família foi
informada que haviam conseguido uma vaga na rede pública, no Hospital de
Campanha de Formosa.
No entanto,
enquanto ele era colocado dentro do transporte, teve várias paradas cardíacas e
não resistiu.
Valdenite
começou a se sentir mal no último domingo. No dia seguinte procurou o centro
médico de Posse e o teste deu positivo para Covid-19. O médico receitou alguns
medicamentos e ele voltou para casa. Na terça-feira, ele começou a sentir falta
de ar e muita dor no corpo, precisando ser internado no Hospital Municipal de
Posse.
A família
desconfia que o ex-vereador se contaminou enquanto cuidava do cunhado com
Covid-19, Waldir Ribeiro Botelho, o Waldir dos Correios, outra pessoa muito
conhecida na cidade, por entregar correspondências. Waldir foi transportado
para a UTI em uma aeronave, mas acabou morrendo em meados de março.
“Na hora que
desceu na ambulância, para entrar no avião, o Valdenite que pegou os chinelos e
colocou nos pés do Waldir”, relata Raimunda.
Esse trauma
da morte de Waldir, fez com que o ex-vereador ficasse com medo de ir ao
hospital. Ele só procurou a unidade de saúde, depois de ser convencido pela
esposa, Izaina Maria de Santana. No hospital municipal ele ficou internado em
um quarto com outro paciente. A situação na unidade era de lotação, com
paciente internado até na recepção. “Conseguiram cama não sei onde e colocaram
na sala de recepção. Não entra mais no hospital. O guarda atende do lado de
fora”, conta Raimunda. De acordo com a Prefeitura, a unidade tem recebido
pacientes de outras cidades menores, incluindo municípios da Bahia.
“Eu vou
morrer, ninguém faz nada por mim”, disse Valdenite para a esposa quando ainda
estava consciente. Ela explicou que todos os familiares e amigos estavam
correndo em busca de vaga de UTI. Depois de um tempo internado, o ex-vereador
passou a usar uma máscara de ventilação não invasiva. Como não era possível
falar, se comunicava fazendo o sinal de negativo com as mãos. Na sexta, mesmo
dia em que morreu, foi entubado.
Valdenite
ficou conhecido na cidade como motorista do transporte escolar. Ele foi vereador
por dois mandatos e perdeu a última eleição de 2020. Atualmente estava
desempregado. Ele deixa a esposa, três filhos e três netos.
O
ex-vereador foi enterrado na manhã de sexta-feira (2), no cemitério do povoado
Bomba, cerca de 20 km de Posse, ao lado do túmulo do pai, que faleceu ano
passado por conta de um câncer.
Fonte e texto: O Popular

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