O plano do
escrivão de polícia Ricardo Vilaverde era o de jantar com a esposa Priscilla e
o filho Heitor, de dois anos e meio, em casa neste dia dos Namorados. Ocorre
que Priscilla estava grávida de Clarice e a pequena resolveu nascer sem aviso –
e sem trabalho de parto – na madrugada desta sexta-feira. Foi tão rápido que
Ricardo não teve tempo de levar a esposa à maternidade. Com a coragem de
poucos, investiu-se no papel de obstetra e encarou a missão de trazer Clarice
ao mundo.
As primeiras
contrações começaram por volta de 1 hora da manhã. O escrivão telefonou para a
médica que acompanhou a gravidez. Ela recomendou calma. Disse que as contrações
poderiam durar até um dia até que o parto acontecesse. Se estivessem intensas,
eles deveriam procurar o pronto-socorro da maternidade no dia seguinte. Faltou
combinar com Clarice, que nasceria pouco mais de uma hora depois. A dor, de uma
hora para outra, ficou intensa. A mãe não conseguia mais se levantar.
O escrivão
já havia telefonado para a sogra, Elaine, e pedido que ela fosse à casa deles
para que dormisse com Heitor e cuidasse dele. Ricardo tinha medo que o filho
visse o parto e se assustasse com cena. Mas a maturidade do filho surpreendeu.
Ao ouvir o barulho que a mãe fazia, levantou-se da cama e foi sentar-se ao lado
de Priscilla.
“Quando a
irmãzinha nasceu, ele comemorou sem parar, pulou na cama, Heitor ficou
imensamente feliz. Eu não esperava por isso”, conta Ricardo, que é servidor da
Polícia Civil de Goiás.
Com Clarice
nos braços, o escrivão telefonou ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência
(Samu) e solicitou o auxílio de um pediatra. Os socorristas chegaram 20 minutos
depois. Ricardo havia envolto a filha em uma manta limpa, com o cordão
umbilical ainda conectado à mãe. “Eu não sabia bem o que fazer. Lembrei de ver
limparem secreções do nariz e da boca do Heitor do quando ele nasceu, mas não
tinha certeza de nada. Agora, acho que já posso até ser Doula”, brinca o pai.
“É isto que eu chamo de parto humanizado”.
Ricardo,
Priscila e Clarice estão na Maternidade da Mulher, em Goiânia. Heitor está com
a avó, Elaine, em casa. Pede áudios, vídeos e fotos ao pai o tempo inteiro. O
encontro deve acontecer neste sábado, quando Priscilla (bem de saúde) receberá
alta. Para a noite do dia dos namorados, o novo obstetra da cidade faz planos:
“estou pensando em arrumar uma vela e fazer um jantar romântico com a minha
esposa com o sopão do hospital”.
Fonte: Mais
Goiás


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