Diferente do
levantamento de ativistas locais de Cavalcante, o dano ambiental detectado no
território Quilobo Kalunga foi na Fazenda Alagoas e não na Fazenda Pequi. Foram
responsabilizados a mineradora Apoena Mineração e Comércio e, ainda, a
produtora rural Maria de Lourdes Hlebanja.
As multas
foram superiores a R$ 5 milhões pelos já verificados 530 hectares desmatados.
Presidente do Conselho Municipal de Turismo de Cavalcante, Rodrigo Batista
Neves disse ao Mais Goiás que os nomes divulgados pela Secretaria Estadual do
Meio Ambiente (Semad) são novidade.
“Não
conhecemos nenhum desses empreendimentos e nem essa produtora. A mineradora que
conhecemos aqui tem outro nome”, relatou Rodrigo, ao reforçar que o conselho e
os grupos ativistas ainda tentam levantar informações. A mineradora informada
pela secretaria é supostamente quem arrendou a terra da produtora rural.
Novas
diligências ainda devem ocorrer – a quantidade estipulada, inicialmente, era de
quase mil hectares devastados, conforme dados de satélite. Vale destacar que,
em outras áreas mapeadas como possíveis locais de desmatamento, esta destruição
não foi verificada. Segundo informações da Semad, foi constatada a ocorrência
de fogo, mas sem exploração da área.
Segundo
informado por Rodrigo, desde o começo de abril as movimentações pelo
desmatamento do território Kalunga ocorriam, mas somente na última semana a
ação foi descoberta. A Semad foi informada no dia 2 de abril.
Multa
Inicialmente,
a multa do governo foi de R$ 300 mil, com base na operação Cavalcante,
realizada pela Semad no último dia 4. Porém, depois de novas apurações os
valores foram ampliados para R$ 5,6 milhões. Segundo a secretária de Meio
Ambiente Andréa Vulcanis, trata-se de “um recado claro do Governo de Goiás de
que a tolerância contra o crime ambiental é zero. Também pediremos o início
imediato da recuperação vegetal da área, que era intocada de cerrado. Estamos
em contato com a Procuradoria Geral do Estado para tentar garantir tal medida,
inclusive com bloqueio de bens dos envolvidos”. Segundo ela, o dano é
incalculável.
A titular da
pasta afirmou, ainda, que a Semad promoverá o ajuizamento de ações para
reparação do dano e bloqueio de bens dos interessados. “Para garantir o
pagamento das multas e a reparação do ano ambiental.”
As multas
foram de R$ 2.525.000 para cada um pelo desmatamento de 504,5 hectares, além de
outras duas de R$ 115 mil, aplicadas pelo desmatamento de 22,9 hectares. Em
ambos os casos, foi considerado o agravamento por estar em território destinado
a proteção de comunidades tradicionais. Ainda segundo a Semad, o responsável
técnico pela emissão da dispensa de licença, Johnatan Palmer, será multado em
R$ 100 mil por elaborar ou apresentar informação falsa perante ao órgão
ambiental.
Apreensões
Questionada
sobre tratores e correntões, que teriam sido utilizados no desmatamento, a
Semad informou que não existiram apreensões de equipamentos ou máquinas durante
operação para coibir desmatamento em território Kalunga, porque não houve
flagrante. Porém, as áreas foram embargadas ainda na última quinta, data da
ação.
Além disso,
com o apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente
(Dema), foram apreendidas cerca de 300 toneladas de calcário. O material,
conforme revelou Vulcanis em live no dia da operação, seria utilizado para
preparação do solo para operações comerciais da Fazenda. A suspeita dos
ativistas que fizeram a denúncia no começo da semana era que o intuito do
desmatamento era para plantação de soja.
“O que a
natureza demorou milhões de anos para criar, a ganância destas pessoas derrubou
em poucas horas”, lamentou a secretária Andréa Vulcanis. Ressalta-se que o
desmatamento ocorreu em propriedades que ainda não foram desapropriadas, mas
que estão dentro do território quilombola, próximas à Área de Proteção
Ambiental (APA) de Pouso Alto, sob gestão estadual.
Posicionamentos
A reportagem
tentou contato com a Apoena Mineração e Comércio por todos os telefones
disponibilizados no site da mineradora, mas não obteve retorno. Ainda foi
enviado um e-mail, que também não foi respondido.
Em relação a
produtora rural Maria de Lourdes Hlebanja, o portal não conseguiu contato. O
espaço permanece aberto apara manifestações e esta matéria poderá ser
atualizada.
Fonte: Mais
Goiás

Nenhum comentário:
Postar um comentário