Apenas duas
cidades goianas com pontos turísticos importantes do Estado não têm nenhum caso
confirmado do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Lagoa Santa, no Sul de Goiás, e
São Domingos, no Nordeste, são municípios pequenos, conhecidos pelas belezas
naturais, que têm como uma das bases de receita municipal o turismo e estão com
as atividades do setor paralisadas desde o início da pandemia.
Em ambos, os
cuidados para evitar a propagação da Covid-19 têm sido tomados, principalmente,
por conta da falta de estrutura para atender pacientes com quadros mais
complexos da doença.
Em São
Domingos, onde fica o Parque Estadual Terra do Ronca, as barreiras sanitárias
têm sido uma das medidas adotadas pela prefeitura.
“Só temos
duas entradas. Aferimos a temperatura de todo mundo que entra aqui”, afirma o
secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Guimarães.
Além disso,
o município montou uma espécie de comitê de combate à Covid-19 que discute
semanalmente medidas para evitar a propagação da doença na cidade. No
município, onde as atividades não essenciais estão funcionando até às 15 horas
e as essenciais até às 18 horas, o uso de máscaras está sendo fortemente
estimulado. “Estamos de olho em todo mundo que apresenta qualquer sintoma
gripal. Na porta das unidades de saúde montamos tendas para evitar que as
pessoas se aglomerem e possam receber um primeiro atendimento”, esclarece
Guimarães.
Estrutura
O cuidado
para evitar que a doença se espalhe pela cidade ocorre, em grande parte, por
conta da falta de estrutura na área da Saúde que São Domingos têm. “Somos um
município grande, mas também um município sem muitos recursos. Temos apenas uma
sala de emergência com um leito montado e agora estamos montando mais três”,
aponta o secretário de Saúde. Segundo ele, caso algum paciente da cidade
precise de um atendimento mais complexo, a cidade mais próxima que tem
condições de prestá-lo é Formosa, que fica a cerca de 300 quilômetros de
distância. “Se precisar ir para a capital são quase 600 quilômetros. Por isso,
temos que tomar cuidado. Nossos recursos são escassos”, enfatiza Guimarães.
O mesmo
acontece em Lagoa Santa, que fica na divisa de Goiás com Mato Grosso do Sul e é
conhecida pelas águas termais. “A prefeitura tem dado todo o apoio para a
Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Porém, é complicado, pois não temos leitos
equipados e nosso apoio mais próximo é Rio Verde, que fica a cerca de 200
quilômetros de distância”, conta o prefeito da cidade, Adivair de Macedo (PSD).
Ele explica que até mesmo montar uma barreira sanitária na cidade não foi
possível por conta do baixo efetivo de policiais que o município possui. “Pouca
gente de fora tem vindo para cá porque a lagoa está fechada e as atividades
turísticas paradas. Por enquanto, nossa saída tem sido fazer trabalho de
conscientização sobre a importância do distanciamento, do uso de máscara e
também dos cuidados com a higiene”, diz.
Nos outros
municípios turísticos de Goiás, as medidas adotadas estão sendo as mais
variadas. As cidades históricas de Pirenópolis e Goiás estão com as atividades
paralisadas. Em Aruanã, um dos principais destinos procurados em julho, o
decreto estadual que determina o fechamento de atividades não essenciais por 14
dias está sendo seguido à risca. Em contrapartida, cidades como Caldas Novas e
Rio Quente, que tem tido uma crescente de casos, estão se preparando para
voltar a funcionar com restrições, ainda neste mês de julho. Segundo o decreto
municipal e os protocolos da Vigilância Sanitária da cidade, só poderão
frequentar os hotéis pessoas saudáveis.
Chapada
dos Veadeiros
Em Alto
Paraíso de Goiás, uma das principais cidades que recebe turistas que frequentam
a Chapada dos Veadeiros, o número de casos dobrou em menos de uma semana. No
dia 2 de julho a cidade tinha 15 casos confirmados da doença, segundo os dados
do Painel da Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO). Em
cinco dias, o número passou para 35 pessoas infectadas. Até mesmo o prefeito da
cidade, Martinho Mendes da Silva (PL), está infectado com a doença.
Em nota, a
prefeitura informou que desde o início da pandemia segue as orientações
estaduais e que o aumento expressivo de casos recentemente ocorreu por conta de
diversos turistas que “insistem em burlar as regras e se hospedar
clandestinamente no município”. A prefeitura comunicou ainda que uma área do
Hospital Municipal Gumercindo Barbosa foi isolada para atender pacientes com a
Covid-19, mas que o local conta com apenas um respirador. Pacientes mais graves
precisam ser levados para Formosa, a 189 quilômetros de distância.
Trindade
acredita que depois do fim da Romaria, ‘o pior já passou’
Desde que a
semana da Romaria do Divino Pai Eterno teve fim neste domingo (5), a prefeitura
de Trindade comemora o fato de que as medidas adotadas pelo município para
impedir que aglomerações se formassem na cidade por conta da festa, tiveram
sucesso. “Mesmo com a festa cancelada a gente temia que muita gente viesse para
cá. Ano passado foram 3,5 milhões de romeiros. O pior mesmo já passou. As
pessoas tiveram consciência e não vieram para cá”, explica o secretário
municipal de Comunicação, Gustavo Queiroz.
Uma das
principais medidas que cidade, que é o maior ponto de turismo religioso de
Goiás, foi a construção de barreiras sanitárias. “Fechamos todos os
restaurantes, bares e hotéis. Contactamos todos os mais de 400 carreiros que
vieram para cidade. As excursões foram informadas que os hotéis não estavam
funcionando. Colocamos comunicados em todas as rodovias e estradas que dão
acesso a cidade”, afirma o secretário.
Queiroz
acredita que caso a prefeitura não tivesse tomado essas medidas, muitas pessoas
teriam ido até a cidade e o vírus estaria circulando mais ativamente no
município que, de acordo com dados do painel da Covid-19, da Secretaria de
Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), desta terça-feira (7) conta com 256 casos
confirmados e 20 óbitos. “Nós barramos diversos caminhões cheios de produtos
que iriam ser comercializados aqui. Não deixamos ambulantes comercializarem
nada. Se a gente tivesse cruzado os braços e, mesmo com a romaria cancelada,
não tivéssemos feito nada, é possível que os casos da cidade duplicassem ou até
triplicassem”, enfatiza.
Trindade não
segue o decreto estadual de interrupção das atividades não essenciais por 14
dias. No município, as atividades comerciais estão permitidas com determinadas
restrições. Atualmente, a cidade conta um Hospital de Campanha com 36 leitos de
enfermaria, uma UPA com 16 leitos de enfermaria e o Hospital Estadual de
Urgências de Trindade (Hutrin), com seis leitos de UTI para atender pacientes
com a Covid-19.
Fonte: O Popular

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