Waldivino
José de Almeida, de 54 anos, foi condenado a 20 anos de prisão por matar o
ex-prefeito de Estrela do Norte, Geral Nicolau Filho. Ele foi morto dentro de
um motel em Mara Rosa, na região norte de Goiás, em outubro de 2015. Durante o
julgamento, a defesa pediu que ele fosse absolvido, alegando que ele agiu em
legítima defesa. Porém, os jurados não aceitaram a versão.
A reportagem
não conseguiu localizar a defesa de Waldivino até a última atualização dessa
reportagem.
O juiz
Flávio Fiorentino de Oliveira acatou a acusação do Ministério Público de Goiás
(MP-GO) que denunciou Waldivino por "homicídio qualificado por motivo
torpe, consistente na vingança ao adultério praticado por esposa do familiar
com opositor político da família, bem como a qualificadora do recurso que
impossibilitou a defesa da vítima, sendo surpreendida sem esperar o
ataque".
Segundo as
investigações policiais, Waldivino e o irmão dele, o então prefeito da cidade
Wellington José de Almeida (PMDB), são os dois homens que aparecem em um vídeo,
divulgado na época do crime, atirando contra a vítima.
Geraldo foi
morto no dia 1º de outubro de 2015. Ele estava em um motel, acompanhado de
Anésia Xavier Perez, mulher de um dos irmãos de Wellington. Segundo as
investigações, parentes do então prefeito pediram que a ex-tesoureira da cidade
Renata Rezende fosse até o motel para checar se Geraldo e a mulher estavam no
local.
Após a
confirmação, Wellington, a mulher dele, a então primeira-dama Elaine Cristina
Vaz, e Waldivino foram até o estabelecimento. No local, segundo a polícia, os
dois homens atiraram e mataram Geraldo. Vídeos divulgados pela polícia mostram
a movimentação dos carros dos suspeitos no motel.
Desde o
crime, Wellington e Elaine seguem foragidos. No dia 16 de outubro daquele ano,
ele renunciou ao cargo de prefeito. A Câmara dos Vereadores recebeu da irmã do
político uma carta escrita por ele citando a decisão.
Já Renata,
que chegou a ser presa, responde ao processo em liberdade. Em depoimento, na
época, ela confirmou à polícia que a primeira-dama pediu que ela fosse ao motel
para checar se o ex-prefeito estava lá, mas negou que soubesse da intenção de
matar Geraldo.
A reportagem
não conseguiu localizar a defesa de Renata até a última atualização desta matéria.
Motivação
Conforme
relato policial nos autos, há duas hipóteses para a motivação. O primeiro é
crime político, já que Geraldo, que administrou Estrela do Norte de 2001 a
2008, era rival de Wellington e se movimentava para se candidatar novamente. A
segunda é por conta do relacionamento extraconjugal da vítima com Anésia.
Na época, a
empresária Lucivânia Lúcia de Andrade Nicolau, 43 anos, viúva de Geraldo, disse
que acreditava na hipótese de crime político, já que o homem planejava disputar
as eleições municipais de 2016.
Morte
A denúncia
destaca que, no dia 1° de outubro de 2015, Anésia combinou de encontrar Geraldo
no período da tarde. Por volta das 13h, ele foi de carro para sua empresa,
próxima ao trevo da cidade. Enquanto isso, Anésia, que morava na casa do
cunhado e então prefeito, se arrumava para sair. Esse fato foi percebido pelo
filho adolescente do ex-prefeito, que presenciou a tia entrar em um carro, que,
posteriormente, verificou-se ser da vítima. O rapaz, então, informou a mãe, a
então primeira-dama, do fato.
Ainda
segundo os autos, o casal seguiu para um motel na zona rural de Mara Rosa.
Enquanto isso, Elaine entrou em contato com a tesoureira e amiga Renata,
combinando que Renata iria ao motel verificar se o veículo em que Anésia entrou
estava no local.
Renata
ocupou a garagem de um dos quartos e constatou que o carro descrito pelo
adolescente estava lá. Após isso, deixou o motel e comunicou a notícia a
Elaine. Na sequência, ela e o marido Wellington foram para o local. Cerca de 20
minutos depois chegou Waldivino José.
Posteriormente,
os três se reuniram em um dos apartamentos, onde aguardavam a saída dos
amantes. Geraldo, ao abrir o portão, avistou Waldivino e Wellington armados e
também Elaine, que estava mais afastada, na tentativa de filmar o adultério.
Waldivino
entrou em luta com a vítima e Wellington deu os primeiros tiros à queima-roupa.
Waldivino, ao soltar a vítima, começou também a efetuar vários disparos,
deixando-a caída no chão.
Confirme a
denúncia, Elaine acompanhou toda a cena de longe sem intervir. Já Anésia abriu
a porta do quarto, sendo filmada pela cunhada. Elaine, Wellington e Waldivino
seguiram para os carros e saíram do local.
Minutos
depois, Anésia foi para a recepção, passou pelo corpo da vítima e seguiu para
um posto abandonado próximo ao motel, onde seu irmão foi buscá-la.
Outros
denunciados
Segundo o
MP-GO, a ação penal movida pela promotoria foi desmembrada, tendo como réus
também Wellington José de Almeida e a mulher, Elaine Cristina Vaz, assim como a
amiga do casal Renata Pereira Rezende.
O órgão
informou que todos eles ainda aguardam julgamento, sendo que o casal continua
foragido e Renata, depois de alguns meses presa, espera o julgamento em
liberdade.
A reportagem
não conseguiu localizar a defesa de Wellington e Elaine até a última
atualização desta matéria.
Fonte: G1

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