O fogo
consumiu entre o último dia 25 e ontem (7) 67 mil hectares (ha). A área
corresponde a 67 mil campos de futebol ou quase 2,5 vezes o tamanho do
município de Aparecida de Goiânia. A esperança é que as previsões de chuva para
os próximos dias se confirmem e isto contribua com a superação do trágico
episódio.
Dos 67 mil
ha, segundo boletim do Comando Unificado que atua na região, 17 mil ha estão no
interior do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e 50 mil na Área de
Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, o que representa 6% da área total
desta. O fogo está em quatro pontos críticos distribuídos igualmente entre as
duas unidades de conservação. Dois deles se situam no município de Alto Paraíso
e os demais em Cavalcante. As áreas são descritas como de difícil acesso e
contemplam formações de Cerrado de árvores maiores e também de menor estatura.
Entre os lugares que mais têm desafiado os profissionais de combate estão as
áreas mais íngremes da Serra de Santana.
Para o
trabalho nos locais de difícil acesso, as aeronaves cumprem um papel essencial.
De acordo com o chefe de seção de operações da Operação Cerrado Vivo, o tenente
do Corpo de Bombeiros Ailton Pinheiro de Araújo, há quatro aviões de pequeno
porte que transportam entre 2 mil litros e 3 mil litros de água. Hoje (8) entra
em operação um helicóptero que já está na região. Há ainda 22 veículos
automotores. O bombeiro afirma que as principais dificuldades são as condições
climáticas e as características do terreno. “A topografia muitas vezes não
permite uma aproximação do pessoal aos focos de incêndio, existe uma
diversidade muito grande de terreno aqui na APA do Pouso Alto e no Parque da
Chapada e as condições climáticas estão muito desfavoráveis. Estamos com
umidade em torno de 20%, ventos acima de 35 km/h e temperaturas acima de 30°C.”
O trabalho é feito dia e noite, mas no período noturno, não há voos.
O trabalho
conta com 110 pessoas, 36 delas do Corpo de Bombeiros. Os demais são do
Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Sistema Nacional de
Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo) do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de
Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Rede Contra
Fogo, Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Prefeitura Municipal
de Alto Paraíso e brigadistas voluntários.
A origem do
fogo é tida como de natureza humana, mas o trabalho de perícia dos bombeiros
ainda será feito para tentar identificar a autoria. Por causa da queimada, o
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros ficou fechado entre a última
sexta-feira (2) e ontem. As visitações voltaram a ser permitidas nos horários
habituais: entradas de 8h às 12h nos dias de semana e aos fins de semana e
feriados das 7h às 12h. A saída deve ocorrer até 18h.
Neste ano,
Goiás já registrou 5.203 queimadas, de acordo com o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é 16% inferior ao do mesmo período de
2019. Outubro, no entanto, contabilizava até esta terça-feira (6) 1.116
registros, quantidade 356% maior que a do mesmo período do ano passado. O
recorde para o mês ocorreu em 2007, com 2.169 focos de calor.
Pandemia
Superintendente
de Unidades de Conservação e Regularização Ambiental da Semad, Verônica Theulen
afirma que a pandemia do coronavírus prejudicou o trabalho preventivo que seria
de maior envergadura neste ano. “Tivemos de mudar o que estávamos planejando
porque não podíamos fazer trabalho de campo. Então, fizemos divulgação nas
rádios e nos meses de junho/julho, a pedido do Sindicato Rural, emitimos uma instrução
normativa sobre aceiros”, diz ela que acrescenta que o trabalho teve o apoio da
ONG Aliança da Terra, cuja uma das funções é atuar no combate preventivo e
intensivo ao fogo.
Para 2021, a
superintendente afirma que a Semad vai focar na conscientização, sobretudo dos
proprietários de imóveis da APA do Pouso Alto e demais regiões do Estado.
Previsão
é que calor continue na região
As altas
temperaturas tem se feito presente na região da Chapada dos Veadeiros. Ontem
(7), Alto Paraíso teve máxima de 33,3°C e a umidade relativa do ar mínima
chegou a 18%, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia
(Inmet). A previsão para hoje (8) também é de calor. A temperatura máxima pode
bater os 39°C e a umidade cair a 10%. Municípios vizinhos não têm estação
meteorológica.
Além de Alto
Paraíso, são exemplos de municípios da região afetados pela onda de calor que
assola o Estado Cavalcante e Colinas do Sul. O fenômeno, alertado pelo Inmet,
tem feito cidades de Goiás baterem recordes de temperaturas máximas.
A chefe do
Inmet em Goiás, Elizabete Alves, afirmou que a onda de calor histórica que tem
atuado em boa parte do Brasil continuará nos próximos dias, prometendo
possíveis novos recordes. “A onda de calor geralmente dura em torno de 5 dias,
de vez em quando 7. Mas estamos seguindo para 15 dias. É algo macro, atípico e
histórico.
Capital
Pelo segundo
dia consecutivo Goiânia registrou temperatura superior a 40°C. Se na última
terça-feira (6) a capital marcou 41,1°C, considerado o dia mais quente dos
últimos 83 anos, ontem (7) não ficou muito atrás. Os termômetros marcaram às
15h, no Centro, 41°C. Os dados são do Inmet em Goiás.
Poderemos
ter sim novos recordes nos próximos dias em Goiânia. Apenas no feriado há uma
possível melhora”, reforçou a meteorologista.
Além do
alerta de onda de calor, o Inmet publicou outro sobre a umidade relativa do ar
abaixo de 12%, também de grande perigo e com risco para pessoas com doenças
pulmonares. Outras recomendações são para umidificar o ambiente, utilizar
hidratantes corporais e evitar bebidas diuréticas, como café e álcool.
A previsão
do Inmet é que a onda de calor perca força a partir do próximo sábado (10). É
quando uma frente fria vinda do Sul do País, combinada com a umidade vinda da
região Norte conseguirá quebrar a massa de ar quente e seco que atua na região
Centro-Oeste.
Segundo o
Inmet, existe possibilidade de chuva no próximo domingo, com pancadas isoladas
depois das 15 horas acompanhadas de rajadas de ventos.
Fonte: O Popular

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