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| Parecer jurídico da Câmara diz que projeto é inconstitucional |
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| Prefeito Itamar diz que redução dos salários iria aliviar crise financeira |
O prefeito
de Santo Antônio do Descoberto, Itamar Lemes do Prado (PDT), cidade que fica no
estado de Goiás, enviou um projeto de lei à Câmara Municipal para reduzir o
próprio salário em mais de 50%, “com o objetivo de tentar minimizar a crise
financeira que o município enfrenta”, segundo explicou.
No entanto, a medida foi arquivada pelos
vereadores por ser considerada inconstitucional. Nas ruas, a população se
divide sobre o tema.
De acordo
com o prefeito, o gasto da administração com os servidores concursados e
comissionados era de R$ 1,5 milhão em 2009. Quatro anos depois, quando ele
assumiu, esse valor já chegava a R$ 5,7 milhões, sendo que a arrecadação do
município era de cerca de R$ 6 milhões.
“Não sobrava
dinheiro para nada e foi quando descobrimos que um esquema ilegal de diplomas
falsos, que eram apresentados por muitos servidores para aumentar as
gratificações. O caso foi devidamente investigado pela polícia, e os envolvidos
respondem na Justiça. Mesmo assim, muitos servidores estavam em situação
regular, de acordo com um plano de cargos e salários, e tinham muitos
comissionados. Com isso, a folha de pagamento permaneceu alta”, explicou o
prefeito.
Atualmente,
a arrecadação do município continua praticamente estagnada em R$ 6,2 milhões, e
o gasto com os servidores passa de R$ 5,2 milhões. No total, são 1.626
funcionários concursados e 127 comissionados, somando os secretários,
assessores, diretores o prefeito e o vice-prefeito.
“Fizemos um
pente fino e exoneramos 323 servidores comissionados entre os meses de julho e
agosto deste ano, aí conseguimos uma economia de cerca de R$ 400 mil. Nunca na
história da cidade existiram menos do que 450 comissionados. Mesmo assim,
existem salários altos, como o meu, que precisam ser revistos”, disse.
Sem
conseguir outra solução para aumentar a arrecadação do município, que acumula
mais de R$ 60 milhões em dívidas não recebidas só do Imposto Predial e
Territorial Urbano (IPTU), o prefeito diz que decidiu pedir a redução do
salário dele, que é de R$ 20.040, para R$ 8.017.
“Antes de
ser eleito, eu já era um empresário bem sucedido da área de construção civil e
não dependo desse salário, que é muito alto para uma cidade pequena. Por isso,
decidi criar o projeto e estabelecer esse teto, que refletiria nos demais
servidores”, relatou.
Segundo
Itamar, existem agentes de trânsito que ganham R$ 12 mil e fiscais de postura
que recebem R$ 9 mil na cidade. Tudo isso graças às gratificações incorporadas
no plano de carreira.
“Essa
situação é insustentável e vi que pedir a redução do meu salário poderia ajudar
a resolver esse problema, pois ninguém poderia ganhar mais do que os R$ 8.017.
Mas, infelizmente, minha proposta ficou parada”, disse.
Câmara
O projeto de
lei em questão foi protocolado na Câmara Municipal de Santo Antônio do
Descoberto no dia 4 de abril deste ano. No dia 9, ele foi lido em plenário. Em
seguida, no dia 21 de maio, foi apresentado o parecer jurídico, que considerou
a proposta inconstitucional por ferir a Lei Orgânica do município, que
estabelece que “compete à Câmara fixar a remuneração dos vereadores, do
prefeito e do vice-prefeito para vigorar na legislatura subsequente”.
Com isso,
segundo o presidente da Casa, Ildelci Lopes dos Reis (PR), o projeto de lei foi
rejeitado por 12 dos 15 vereadores da cidade. “Como foi comprovado
juridicamente que a medida é inconstitucional, pois só cabe aos parlamentares
legislar sobre a questão, essa proposta não foi aprovada e acabou arquivada.
Além do mais, caso algo assim estivesse em discussão, pelas vias legais, ela só
valeria para o próximo mandato e o Itamar não teria alteração do salário”,
explicou.
Questionado
se a redução do salário do salário do prefeito iria impactar nos salários dos
vereadores e que, por isso, nenhum deles aprovou, Reis negou. “De maneira
alguma. Até porque a proposta fixava o teto de R$ 8.017 e os parlamentares
ganham R$ 8.016, sendo assim, nada mudaria para nós. Reconhecemos que o
município enfrenta dificuldades, mas tudo tem que ser feito dentro da lei”,
disse.
Já o
vereador Alessandro Viana da Conceição (PSD), que é o relator da Comissão de
Fiscalização Financeira e Orçamentária, que analisou o projeto de lei, disse
que considera “justa” a intenção do prefeito, mas destacou que a medida não
poderia ser aprovada “à luz da Lei Orgânica”.
“Quanto aos
pagamentos dos demais servidores, considero que é justo. O importante é ficar
claro que já é tradição que a Câmara, nos últimos anos dos mandatos, analisa
essa questão de todas as administrações. Mas da mesma forma que pode existir um
precedente para a redução dos salários, ela pode servir para aumentar. Por
isso, temos que ter cautela”, destacou.
Conceição
destacou, ainda, que uma das opções para reverter a crise financeira da
prefeitura está no aumento da arrecadação. “Cabe ao prefeito administrar bem os
recursos recebidos do Estado e do governo federal, além de impulsionar o
recebimento de impostos e outros dividendos que existem, seja por meio de
campanhas junto aos moradores, seja em busca de novos investimentos na cidade”,
afirmou.
A assessoria
de imprensa da prefeitura destacou que o prefeito não tinha conhecimento sobre
a apreciação e arquivamento do projeto de lei na Câmara. Agora, ele buscará
informações junto ao departamento jurídico da administração para saber como
pode proceder em relação ao caso.
Problemas financeiros
Enquanto não
conseguiu reduzir o salário, Itamar alega que doa parte dos recursos para
instituições de caridade. O próximo objetivo dele é comprar equipamentos de
ginástica comunitária, que devem ser instalados nos oito maiores bairros da
cidade.
Mesmo assim,
segundo ele, o município tem muitos problemas financeiros, que só seriam
resolvidos com a redução de toda a folha de pagamento. “Enxuguei muitos custos,
como o número de secretários, que eram 16 e agora são 10, sendo que cada um
deles recebe R$ 8.017. Além disso, não alugamos carros para esses servidores de
cargos comissionados e eles usam próprios veículos e custeiam o combustível.
Mesmo assim, a verba que temos para manter os serviços de saúde, educação,
infraestrutura é muito baixa e quase não dá para fazer nada”, relatou.
Além disso,
ele destacou que as obras de uma praça e de um hospital na cidade, que tinham
apoio do governo estadual, estão paradas. “Como não houve entrada dos recursos
por parte do Estado, a gente também não tem condições de investir. Aí tudo
segue parado. Por isso eu queria reduzir os salários para ter mais recursos”,
justificou Itamar.
A Agência
Goiana de Transportes e Obras (Agetop) informou que as construções citadas não
são de responsabilidade do órgão. Com isso, a reportagem pediu informações para
a Secretaria de Planejamento (Segplan), mas não houve retorno até a publicação
desta reportagem.
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| População reclama de ruas esburacadas e falta de infraestrutura na cidade |
Fonte: G1



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