Dez cidades
concentram 36,4% das áreas com alertas de desmatamento em Goiás, segundos dados
do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 1º de
janeiro até a última quarta-feira (28). Neste intervalo, o Estado teve 1.815
alertas de descaracterização da vegetação referentes a 382,44 km². O grupo dos
municípios onde está localizado mais de um terço da degradação soma 139,1 km² e
540 alertas.
O objetivo
do Deter, que começou a ser utilizado primeiro na Amazônia e no ano passado se
estendeu ao Cerrado, é monitorar a cobertura do solo e informar a fiscalização
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama).
A primeira cidade
que aparece é Caiapônia, no sul do Estado. O monitoramento do Deter identificou
100 alertas no município em uma área de 21,4 km². Em segundo e terceiro lugares
aparecem Niquelândia e Flores de Goiás com 66 e 58 notificações. Os espaços são
respectivamente de 18 e 16,4 km². Os outros sete são: Luziânia, São Miguel do
Araguaia, Sítio D’abadia, Monte Alegre de Goiás, Mineiros e Cristalina.
As regiões
são distintas e as características não permitem traçar perfil econômico único
para todos os dez. Quanto à localização, o mapa indica maior concentração dos
municípios no Nordeste, Noroeste, proximidade do Distrito Federal e Sudoeste do
Estado. Caiapônia e São Miguel do Araguaia estão entre os cinco maiores
rebanhos bovinos de Goiás. O primeiro é onde há significativa quantidade de
assentamentos. Entretanto, não é possível afirmar que estes fatores sejam os
responsáveis pelo desmatamento.
Flores de
Goiás está no Nordeste goiano e também há notícia de muitos assentamentos no
município. Um dos casos que chama a atenção é Niquelândia, que teve a vida
econômica movimentada pela exploração de minério por décadas. Agora este motor
perdeu força. A reportagem apurou que tem crescido no município a pecuária e
esta é uma das hipóteses que explicaria as mudanças na vegetação.
Ao Norte
está Crixás, que tem a agropecuária e a mineração como bases da economia. O
município, inclusive, é o líder em autuações por desrespeito à legislação
relativa à flora no Estado, segundo dados do Ibama no primeiro semestre deste
ano
Luziânia e
Cristalina estão próximos do Distrito Federal. O primeiro tem as áreas de
agricultura e pastagens já abertas, assim como Cristalina. No caso de Luziânia,
é forte a produção de hortaliças e Cristalina tem uma área de produção agrícola
já bastante consolidada, inclusive, há na região uma disputa por água, o que
inviabilizaria acréscimo na área plantada. Sítio D’abadia tem forte presença de
assentamentos.
Preservação
As áreas de
proteção não escapam dos alertas de desmatamento. A Área de Preservação Ambiental
(APA) do Rio Vermelho, vizinha a Sítio D’abadia, é a que tem maior área
afetada. Em seguida está a APA dos Meandros do Rio Araguaia, Noroeste do
Estado, vizinha a São Miguel do Araguaia.
Fonte: O
Popular

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