De acordo
com a denúncia, o fazendeiro Nei Castelli teria ordenado o assassinato depois
de perder uma ação judicial por uma fazenda de R$ 46 milhões em São Domingos,
no nordeste goiano e que obrigava a pagar às vítimas, a título de honorários
sucumbenciais, o valor de R$ 4,6 milhões.
Inconformado,
ele entrou em contato com Lompa na tentativa de encontrar alguém para o
homicídio. Lompa, então, teria escolhido Pedro Henrique, conhecido pela prática
de diversos crimes no Tocantins, e teria acertado com ele a execução.
Além disso,
prestou-lhe apoio antes e após o cometimento dos assassinatos, transportando os
executores e garantindo que se hospedassem em Goiânia, uma vez que eles são do
Estado do Tocantins. Namorada de Pedro Henrique, Hélica teria negociado a
recompensa pelo crime e, mais tarde, Pedro Henrique teria acertado com Jaberson
Gomes (já falecido), para lhe ajudar no assassinato.
Castelli
teria oferecido R$ 100 mil aos dois, caso saíssem impunes, e R$ 500 mil, se
fossem presos em decorrência da empreitada.
Uma vez em
Goiânia, ainda segundo a denúncia, Pedro e Jaberson, usando o nome de Fernando
Morais, ligaram para o escritório de advocacia perguntando por Marcus Aprígio e
chegaram a deixar um número de telefone para retorno, que, mais tarde, foi
usado pela secretária das vítimas para agendar a reunião para o dia 28.
Prisões
preventivas
De todos os
pronunciados, apenas Hélica responderá em liberdade, uma vez que o magistrado
entendeu que esta condição em nada atrapalhou o andamento processual. Para o
restante, o juiz Eduardo Pio manteve as prisões preventivas.
“Ainda
persiste a necessidade de se resguardar a ordem pública, ante a gravidade
concreta combinada ao modus operandi dos delitos, uma vez que há indícios de
premeditação, unidade de desígnios e o laudo de local de morte violenta
descreveu dinâmica delitiva grave”, justificou o magistrado, que incluiu, na
pronúncia, as qualificadoras de motivo fútil e mediante recurso que dificultou
a defesa das vítimas.
Nota da
defesa de Nei Castelli
Com
relação ao exposto nos órgãos de imprensa sobre a Pronúncia do Sr. Nei Castelli
em processo movido pelo Ministério Público do Estado do Goiás, a defesa vem com
o devido respeito informar o seguinte:
Diferentemente
do veiculado, não existe sequer um único elemento de prova que aponte Nei
Castelli como o mandante dos crimes, mas de maneira surpreendente a justiça de
Goiás fecha os olhos para tudo o que foi demonstrado apontando a inocência do
acusado.
As
principais provas a favor de Nei Castelli não foram, sequer, apreciadas pelo
magistrado que proferiu a decisão de pronúncia. Desde o início das
investigações policiais, o caso é marcado por tortura, coação, falta de
investigação e predileção por incriminar Nei Castelli, embora não haja uma
única prova de seu envolvimento no trágico assassinato dos advogados.
De
extrema gravidade é o fato de que um dos acusados, admitiu em juízo, que sofreu
coação e tortura por parte da polícia de Goiás que conduziu o caso a apontar
Nei Castelli como mandante do crime. A tese de que alguém desde o início já
queria acusar Nei Castelli em detrimento de outros possíveis acusados, foi
provado pela defesa em diversos trechos das suas alegações finais, mas
desconsiderado por completo pelo magistrado.
A defesa encerra esta nota sem nenhum temor de afirmar que o Sr. Nei Castelli é completamente estranho a este processo, pois não há nenhum vínculo fático ou sequer imaginário para acusá-lo de ser mandante deste crime, haja visto que o processo agrário que tramita no Tribunal de Goiás, sendo o motivo apontados pelo Ministério Público, segue em fase inicial recursal.


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